Revista Encontros Edição 112

terça-feira, 5 de março de 2013

Manter um animal doméstico pode custar mais de R$ 300 mensais

Paula Rodrigues e Marcos gastam muito com sua pequena
Loli Marie, mas acham que cada centavo vale a pena Leo Martins

RIO - Na lista do que considerar antes de adquirir um bichinho de estimação, poucos são os mais precavidos que fazem as contas de quanto o novo membro da família vai pesar no orçamento. E esse impacto é cada vez mais expressivo, segundo representantes do chamado mercado pet no país. Com os avanços da medicina veterinária e as condições favoráveis da economia brasileira, a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) estima que o setor tenha faturado R$ 14,2 bilhões em 2012, um crescimento de 16,4% frente aos R$ 12,2 bilhões de 2011. O setor abrange segmentos como alimentação, acessórios, serviços e veterinária, ou seja, as necessidades e mimos que garantem o bem-estar dos animais domésticos. Como saída para economizar, algumas clínicas já aceitam os chamados planos de saúde animal, uma novidade no mercado que ainda está em fase de consolidação.

A advogada Paula Rodrigues e seu namorado, o publicitário Marcos Siqueira, por exemplo, não medem esforços para fazer Lolie Marie feliz. Paula diz que nunca pôs as contas na ponta do lápis, mas que, num mês sem gastos extras, vão-se cerca de R$ 500 com a golden retriever de sete meses. Afora as inúmeras vacinas, a filhote gasta cerca de R$ 250 mensais em ração. Os brinquedinhos “não duram mais de 40 minutos”, reconhece Paula. Há ainda o tapete higiênico descartável para a pequena fazer suas necessidades, o adestrador, o banho no pet shop por conta da dificuldade de secar o pelo em casa, além da coleira, dos remédios contra dermatite e sarna, apenas para listar o básico. No mês em que a cadelinha teve de fazer um raio X, por exemplo, lá foram R$ 350 a mais por esse exame.
— No fim, vale cada centavo — derrete-se a dona.

Setor pet cresce a taxas maiores que a economia do país
Apesar do peso no orçamento, a procura pelos cuidados filhotes e também pelos cuidados com eles só cresce. Segundo a Abinpet, a população de animais de estimação cresceu 5,1% de 2011 para 2012, atingindo 106,2 milhões de animais. Para a veterinária do petshop Gatos & Gatos, em Botafogo, Heloísa Justen, os gastos maiores com os bichos de estimação estão ligados ao maior poder aquisitivo do brasileiro, que, “assim como viaja mais, pode dar melhores condições de tratamento a seus animais”, acredita. O presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária, Josélio Moura, lembra, no entanto, que o crescimento do setor se dá a taxas muito mais alta do que da economia do país.
— Existia e ainda existe uma demanda reprimida nesse setor. Cada dono quer e hoje pode cuidar melhor de seu animal. A procura tem sido não só maior do que o setor é capaz de atender, como tem crescido num nível mais alto do que o da economia.
Para o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), José Edson Galvão de França, nota-se uma evolução do chamado mercado pet a partir dos anos 1990:
— A concentração urbana, a diminuição do número de pessoas nos lares, o aumento da população de idosos, toda essa mudança estrutural foi o que levou à maior procura pelo animal.
Segundo dados da Abinpet, o Brasil é hoje o segundo maior país em número de cães e gatos do mundo. Se consideradas todas as espécies de animais domésticos, está na quarta posição. O maior mercado é o americano, onde o setor pet é um dos cinco maiores da economia americana. No Brasil, o setor movimentou R$ 12,2 bilhões em 2011 e, apesar do crescimento da oferta de serviços e produtos considerados supérfluos, 69% do faturamento do setor ainda vem do segmento de alimentação. Pet care, que envolve acessórios, produtos para higiene e beleza, e equipamentos, responde apenas por 7%.

Fonte: Globo.com

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